Fui à Segurança Social. Dito assim, até parece uma tarefa bastante simples, mas não é. Depois de ter tentado durante duas semanas, vezes consecutivas em horário normal, sem sucesso, lá me resignei a acordar cedo e fazer "filinha pirilau" como todos os outros que lá estavam. Acordei às seis e meia! Era de noite. Estava frio e a minha cama quente. E eu tinha sono. Mas madruguei. Cheguei à porta da dita passava pouco das 7 e lá fiquei, de livro aberto e olho meio fechado, à espera que as pessoas que lá trabalham se levantassem das suas camas quentes. De vez em quando deitava o olho para o fim da fila, e sorria vitoriosa por estar entre os primeiros. Sim, porque também eu já tinha passado pela parte em que chegava, olhava para o tamanho da fila e desistia, quase sem tirar senha.
Abriu às nove, como é suposto e, em vez de sermos nós a premir o botão para ter uma senha, existe um senhor segurança que adora ser útil e é o que faz: prime no botão vezes sem conta e espera que a senha saia na ranhura (deve ir todo contente para casa). Calhou-me o 6. Nada mal! Ah! e o prémio era esperar sentada. O que também não era mal pensado, uma vez que estava há quase duas horas à espera, em pé. Mas o prémio foi retirado muito de repente, (assim, como se tira um doce a uma criança a seguir a lho oferecer) logo depois de ter-se sentado, mesmo ao meu lado, uma daquelas senhoras que não tem nada mais para fazer o dia todo (vulgo, reformada), mas que decidiu entupir, àquela hora, aquele serviço público quando todos os outros que trabalham também o fazem. "É que eu não posso sentar-me ali ao fundo... está muito frio e eu não posso apanhar com o ar condicionado" (coitada, se tivesse que apanhar com o ar condicionado, ficava mal tratada) "é por causa do meu problema de respiração" (enquanto eu lhe virava, gentilmente as costas - não quero saber se ela tem ou não problemas respiratórios). Entretanto tocam-me "não lhe pode dar o lugar?", a apontar para uma senhora com as duas pernas ligadas (porquê eu?! porquê?! precisava mesmo daquela cadeira e, na realidade haviam outras, mas deviam cheirar mal. Ou isso, ou foi embirração. Eu votei embirração!). E pronto! De maneiras que o meu curto descanso foi curto mesmo. Levantei-me e continuei a ouvir queixas intermináveis sobre dores e artroses e muitas maleitas. Fugi. Fui para outro canto. Chegou mais uma funcionária. Aqui falava-se mal da senhora que atende (a que chegou em último). Ela senta-se no seu posto e, muito calmamente, começa a organizar o seu dia (ou disfarça bem). E olhavam para ela como se ela fosse criminosa. Eu até percebo. Numa repartição pública onde fazem fila para serem atendidas centenas de pessoas diariamente, estão a atender, nem 1, nem 2, 3 pessoas! Isso mesmo!!!!!! Uma, numa secretária "prioritária" e as outras duas, com MUITA calma para as outras pessoas todas. Claro que não estão ali para sorrir, nem para despachar trabalho - temos tempo. Fazem o trabalho delas, tratam mal quem podem (ou quem se presta a isso) e voltam para a vida delas.
Assim de repente, sei lá, já que estamos mesmo próximo da eleições, o patrão delas devia estar mais atento... ou não?
Pois que tens razão... mas, no entanto, no teu caso particular, talvez escusasses de lá ter ido... ou a menina não sabe que tem família a trabalhar na S. Social?! :)
ResponderEliminarPois que me esqueço... obrigada na mesma, mas imagina o que passam a maioria dos portugueses (da zona de Pedralvas, pelo menos) que trabalham na hora em que a S. Social está a funcionar e têm assuntos para resolver... é o drama! O horror!
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